"A palavra magica para quem tem medo da Diabetes (T2, ou complicações da T1) é a prevenção"

sábado, 31 de dezembro de 2011

Hiperglicémia



Uma hiperglicémia é o oposto de uma hipoglicémia, ou seja é quando tem os níveis de açúcar muito elevados. Uma pessoa quando tem uma hiperglicémia, pode sentir mais cansaço ou mais sede do que o normal, mas estes sintomas não são tão obvios como quando se tem uma hipoglicémia. No entanto, se tiver uma hipoglicémia por falta de insulina, poderá se sentir indesposto, por causa do aumento do nível de corpos cetónicos no sangue.

Uma glicémia que esteja temporariamente elevada não necessita de qualquer tratamento de emergência, mas se estiver alta em controlos repetidos, deve ver se possível, a existência de corpos cetónicos no sangue ou na urina. Poderá acrescentar mais 1 ou 2 unidades de insulina ultra-rápida, ou rápida para corrigir os níveis de açúcar.

Se os níveis de açúcar continuarem altos durante algum tempo e se existirem corpos cetónicos no sangue e na urina, poderá ser porque o nível de insulina esteja muito baixo. Se apesar de ter aumentado a dose insulina e continuar com corpos ceónicos no sangue e na urina, é melhor contactar o hospital ou especialista de diabetes, pois se o nível de corpos cetónicos no sangue esteja acima de 3 mmol/l ou persistirem na urina, correrá o risco de desenvolver cetoacidose.

Muitas pessoas pensam que exercício físico é uma maneira de abaixar os níveis de açúcar (até eu pensava isso quando era mais nova) mas sem insulina no corpo só faz aumentar cada vez mais o açúcar no sangue. Isto deve-se ao facto do corpo estar a trabalhar e necessitar de energia (açúcar) e então o figado começa a libertar açúcar para o sangue. Sem insulina não há maneira de esse açúcar entrar para as células, então o resultado será aumentar ainda mais os níveis glicémicos e produzir mais corpos cetónicos.

Se tiver os níveis glicémicos elevados por bastante tempo, isto irá contribuir para as inumeras complicações que a diabetes pode vir a trazer. Algumas dessas complicações têm a ver com o cérebro, a retina, os rins, o coração, entre outros.

Depois de ter tido uma glicémia elevada, tal como numa hipoglicémia, deverá tentar descobrir o porquê, e apontar tudo no diário para que depois no futuro o possa consultar e evitar estas situações. Uma hiperglicémia pode acontecer porque comeu um bocadinho de mais, ou uma coisa com mais hidratos de carbono ou açúcar, ou então porque fez uma dose de insulina a menos em comparação com o que comeu.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Medição de níveis glicémicos



(picador)

Para ter uma diabetes mais controlada, é necessário monitorizar a glicémia sempre. Alguém que tenta controlar a diabetes sem monitorização é como se estivesse a conduzir um carro sem conta-quilómetros, indicador de gasolina ou temperatura. O carro pode andar por algum tempo mas depois acaba por parar no sítio errado. A monitorização da glicémia pode ser dividida em: análises imediatas, análises de rotina, monitorização contínua da glicémia, e análises de longo prazo. A monitorização é importante para ver se está tudo em ordem com a diabetes, se as doses de insulina são as certas, e para controlar-la e ver se está tudo bem.

As análises imediatas, ou a medição dos níveis glicémicos, é feito pelo próprio diabético, quando necessário, no momento. É necessário fazer sempre para verificar os níveis de açúcar, e para fazer um melhor controlo da diabetes. Utiliza-se um medidor de glicémia próprio para medir os níveis de açúcar no sangue (como a imagem que se apresenta mais em baixo). Estas máquinas vêm em várias formas, tamanhos e cores. Para extrair uma gota de sangue utiliza-se um picador, ou dispositivo de picar os dedos. Estes também vêm em diferentes formas. No picador vem uma lanceta, e é essa a lanceta que pica a pele.

Antes de picar um dedo deverá levar as mãos, não só pela higiene, mas também para assegurar que não tem açúcar nos dedos, que poderia ter vindo de alguma coisa doce que tocou, fruta, entre outros, e que poderá acabar por provocar uma leitura falsa, mais elevada. Não é necessário desinfectar os dedos com álcool, pois iste só iria secar a pele. Pode utilizar a mesma lanceta durante o dia todo, mas em cada vez que a utiliza, a lanceta torna-se ligeiramente menos pontiaguda, acabando por tornar as picadas mais dolorosas.

As picadas, como já deve de ter calculado, são feitas nos dedos, e deverão ser feitas nos lados das pontas dos dedos. As picadas constantes não causam a perda completa da sensibilidade nos dedos. Só a sensibilidade à pressão é afectada devido a um aumento da espessura da pele. Não há nenhuma diminuição de sensibilidade ao calor nem ao tacto.

Pedir o picador emprestado a outra pessoa não é boa ideia, porque se uma pequena gota de sangue ficar no dispositivo e estiver infectada, pode causar contágio.

Como já foi dito, os níveis de glicémia, para estar num nível normal, deverão estar mais ou menos entre os 90 e 120 md/dl (5-7 mmol/l). A maioria dos medidores de glicémia tem memoria para armazenar os resultados das analises, e até mostram uma média. Através dos resultados, uma pessoa consegue controlar melhor a diabetes. Poderá apontar sempre os resultados num diário , assim como detalhes das actividades realizadas, para que a próxima vez que fazer algum desporto ou comer determinada coisa, consiga consultar as suas notas.



(medidor de glicémia)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Administração de insulina

Como já se sabe, os diabéticos tipo 1 têm de administrar insulina, pois o pâncreas já não o produz. Os diferentes tipos de insulina são: a insulina rápida, a intermédia, a lenta, a intravenosa, a ultra-rápida, a basal e a pré misturada. A insulina pode ser administrada através:

-> das canetas de insulina (que parecem canetas, e vem em várias formas e cores e algumas são descartáveis)



-> das bombas de insulina (que estão sempre ligadas ao utente e fornecem insulina como se fosse um pâncreas)



-> das seringas (quando surge uma insulina nova essa insulina começa a ser administrada pelas seringas, e também o método das seringas era o que se utilizava antes de aparecer as canetas)



Existe também injectores a jacto (que utilizam uma pressão muito alta para formar um jacto fino de insulina que penetra a pele. Esse jacto é mais fino que uma agulha). Também há o insuflon (cateters utilizados em crianças muito pequenas para minimizar a dor. São utilizadas enquanto a criança aprende as tecnicas de insulina e se adapta a diabetes. Depois é utilizado um dos outros métodos de injecção).

Pessoas diferentes administram a insulina de modos diferentes. Por exemplo, há pessoas que tomam duas injecções diárias, outras três, e outras fazem injecções múltiplas. Algumas fazem as injecções antes das refeições enquanto outras é depois. Isto depende da insulina que cada um toma, e do tratamento que lhe for mais adequado.

Algumas insulinas, como as lentas, terão de ser agitadas antes de ser utilizadas, e se houver ar em algum cartucho ou seringa, deverá retirar-lo segurando a caneta (seringa) com a agulha virada para cima, e injectando uma ou duas gotas para o ar.

Há diferentes zonas do corpo onde se pode injectar a insulina, e essas zonas são nos braços, na barriga, nas pernas ou nas nádegas. É imoprtante alterar o local de administração para que a insulina seja absorvida de modo mais eficaz e para que não apareçam nódulos ou vermelhidão na pele.



Para fazer uma injecção de insulina com uma caneta ou seringas, deverá levantar um pouco a pele para que a insulina não seja administrada no músculo, e para que não sinta dor. A agulha deverá ser colocada a um ângulo de 90º.



Não é necessário desinfectar a pele, e deverá mudar a agulha ou seringa com frequência, de modo a tornar as injecções menos dolorosas, e ter e certeza que não fique restos de insulina, a cristalizar na agulha.

Algumas doses de insulina poderão ser ajustadas pelo próprio diabético conforme a quantidade de hidratos de carbono que ingere, o exercício físico que praticar, ou mesmo os níveis de glicémia que tiver.

O tipo de insulina e o tratamento utilizado é diferente para cada diabético, conforme o que o médico achar melhor ou o que seja mais adequado ao paciente, e ao seu estilo de vida.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Hipoglicémia (quebras de açucar)



Uma hipoglicémia, ou "quebra de açúcar", é quando os níveis de glicémia estão abaixo do normal. Isto acontece muitas vezes num diabético, e pode ser perigoso se não for tratado, logo, porque os níveis vão baixando cada vez mais. Os níveis de glicémia, para estar num nível normal, deverão estar mais ou menos entre os 90 e 120 md/dl (5-7 mmol/l), o que nem sempre é fácil. Muitas vezes os níveis também ficam muito altos, causando uma hiperglicémia.

É importante conhecer-se os sintomas de uma hipoglicémia, só que por vezes uma hipogliçémia nem é sentida. Pessoas diferentes reagem de diferentes formas quando têm uma hipoglicémia, por isso é que é importante conhecer os sintomas. Embora que nem toda gente sente a mesma coisa quando desenvolve uma hipoglicémia, os sintomas geralmente seguem o mesmo padrão para cada pessoa. É fundamental verificar o nível de açúcar no sangue cada vez que sentir, o desconfie de uma hipoglicémia, ou se sentir estranho. Também é importante que os membros da família e alguns amigos saibam tratar a hipoglicémia de um modo seguro e eficaz.

Como já foi dito, pessoas diferentes reagem de formas diferentes. Podem sentir alguns destes sintomas, ou não. Alguns sintomas da hipoglicémia são:

- falta de força, tonturas
- dificuldade de concentração
- alteração da visão das cores
- dificuldades de audição
- sensação de calor
- sonolência
- comportamento estranho, falta de discernimento
- confusão
- problemas de memória a curto prazo
- discurso pouco claro
- andar pouco firme, falta de coordenação
- lapsos de consciência
- convulsões
- irritabilidade
- sensação de fome e/ou doença
- tremores
- ansiedade
- palpitações cardíacas
- dormencia nos labios, dedos e lingua
- palidez
- suores frios

Há quatro tipos diferentes de hipoglicémia:

> a ligeira (em que o diabético se consegue auto-tratar e os níveis são facilmente restabelecidos)

> a moderada (em que o organismo reage com sintomas de aviso de hipoglicémia, e é possível o auto-tratamento)

> a hipoglicémia sem sinais de aviso (em que o diabético não sente a hipoglicémia, mas que para outras pessoas que o estejam a ver é óbvio que está com sintomas)

> a grave (em que o diabético é temporariamente incapacitado em que seja necessário a assistência de outras pessoas para comer. Em alguns casos extremos o melhor é chamar uma ambulância).

A administração de glicémia pura é a melhor forma de tratar uma hipoglicémia, mas qualquer forma de hidrato de carbono também serve. O diabético deverá andar com pacotes de açúcar ou rebuçados no bolso para tratar logo de uma hipoglicémia em caso que tenha uma. É importante não tomar muito só mesmo para "estar seguro", para que a glicémia não suba de mais. A glicose dos alimentos só poderá entrar no sangue depois de ter entrado para os intestinos, por isso que açúcar, ou sumo açúcarado é indicado pois é absorvido rapidamente. No fim, poderá comer alguma coisa como pão, no fim para ter a certeza que não desçam, porque pão tem hidratos de carbono de absorção lenta, e mantêm os níveis em cima.



Se conseguir, no fim, tentar descobrir o porquê da hipoglicémia, é uma mais valia para que no futuro possa evitar a mesma situação, comendo mais uma coisa ou diminuindo a dose de insulina. Uma hipoglicémia pode ocorrer ou porque comeu pouco, deu insulina a mais ou fez exercício físico sem comer nada.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Uma conversinha com uma idosa

Estava eu no centro de saúde, a espera que o meu avô saísse do consultório, quando entra uma senhora já com um bocadinho de idade, com uma cara de esgotamento, tristeza e desconsolo. Estava lá outras pessoas na sala de espera. Nisto, como é habitual nalguns idosos naquela sala de espera, ela começa a falar da vida dela, e do problema de saúde que tinha. Tinha sido diagnosticada com diabetes tipo 2 a pouco tempo. Ela estava a falar com a senhora do lado sobre o problema dela, e a tratar-lo como se fosse a pior coisa do mundo por causa das complicações que poderá vir a trazer.

Não é muito o meu costume ouvir as conversas dos outros, muito menos meter-me nelas quando não têm nada a ver comigo, mas como estava ali ao lado e algumas das coisas e o estado em que a senhora estava me captaram a atenção, eu meti-me na conversa, e estivemos a falar as três sobre a diabetes.

Comecei por perguntar à senhora se ela tinha diabetes (era óbvio que ela tinha, mas pronto). Quando ela me confirmou que tinha, eu disse-lhe que também era diabética, e mostrei-lhe o meu guia de diabético (um livrinho verde que todos os diabéticos possuem). Ela (e a outra senhora) ficou extremamente chocada por ver que eu sou tão nova e que já tenho diabetes. Ficou ainda mais espantada quando eu lhe disse que há pessoas mais novas ainda com diabetes, e que também há quem nasça com a doença.

Tivemos uma conversa sobre algumas das complicações, e sobre os comprimidos que têm que ser tomados para o resto da vida. Eu falei-lhe na minha insulina, porque no meu caso não tomo comprimidos, e expliquei-lhe que tenho que medir os níveis e fazer injecções de insulina cada vez que como qualquer coisa. Expliquei-lhe também que se tiver os níveis de açúcar mais altos, ou comer um bocadinho a mais que aumento a dose de insulina, ou se tiver os níveis mais baixos ou comer menos, que diminuo a dose.

A senhora perguntou-me se eu levava comida comigo, e eu disse-lhe que por acaso não mas que devia de levar sempre. Expliquei-lhe que não levo porque costumo ir lanchar a um café, e que antes levava um pacote ou dois de bolachas na mala, só que as bolachas partiam-se todas. Disse-lhe que levo sempre o açúcar comigo.

Depois eu disse à senhora que embora a diabetes poderá vir a levar muitas outras complicações, não é a pior coisa do mundo se estiver controlada. É preciso é saber viver e lidar com a diabetes, e nunca contra. Disse-lhe também que não me queixo da minha doença porque, se estiver sempre controlada, há doenças muito piores que a diabetes. A senhora já se apresentava mais calma com uma cara e sorriso mais alegre.

A diabetes, quer seja tipo 1 quer seja tipo 2, não é o fim do mundo. É preciso aceitar a doença e aprender a viver com ela. =)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Insulina



(cristais de insulina)

A insulina, como já foi dito, é uma hormona produzida pelo pâncreas, que serve para baixar os níveis de glicémia no sangue. Quando se cheira ou vê comida, são enviados sinais as células dos pâncreas para aumentarem a produção de insulina. Quando a comida entra no estômago e nos intestinos, ainda mais insulina é produzida. As células que produzem a insulina (células beta) conseguem medir a glicémia no sangue, e respondem a isso libertando as quantidades certas de insulina para o sangue. Quando os níveis de glicémia estão normais, essas células produtoras de insulina diminuem a produção.

A insulina é muito importante porque funciona como uma "chave" que permite a entrada da glicose nas células. A glicose e é a fonte energética das nossas células. Sem a insulina, a glicose não consegue entrar para dentro da célula. Isto, como já se sabe, faz com que os níveis de açúcar no sangue subam. Sem energia do açúcar, as células começam a produzir a sua própria energia, os corpos cetónicos, que podem prejudicar a saúde.

Mas, no entanto, há células que são "insulino-independentes" que absorvem glicose, em proporção directa à glicémia, sem insulina. Estas células são encontradas no cérebro, nas fibras nervosas, na retina, nos rins, nas glandulas supra-renais, nos vasos sanguíneos e nos globulos vermelhos. Pode não parecer lógico que existam células que consigam absorver glicose sem insulina. Mas isto acontece porque numa situação em que há pouca glicose no organismo, a produção de insulina é suspensa, e a glicose é guardada para os órgãos mais importantes. Para quem tem diabetes, com os níveis mais altos, essas células que não precisam de insulina, vão absorver grandes quantidades de glicose. A longo prazo essas células poderão ficar "envenenadas", fazendo com que esses órgãos sejam susceptíveis a danos quando a diabetes não está controlada.

O nosso corpo precisa sempre de insulina, mesmo entre as refeições e quando estamos a dormir, para controlar a glicose produzida pelo fígado. Esta insulina é uma pequena quantidade de insulina, ou a insulina "basal". A volta de 40/50% da insulina produzida num dia, por uma pessoa que não é diabética, é libertada entre as refeições, como insulina basal.